Um ano que exige inteligência de contexto
2026 não é um ano ordinário para quem lidera uma rede de franquias no Brasil. O calendário concentra, em poucos meses, uma Copa do Mundo, eleições gerais, onze feriados prolongados e um ciclo de afrouxamento monetário que ainda ensaia seus primeiros passos. Para a alta liderança de franqueadoras, navegar nesse ambiente com precisão é condição sine qua non para transformar volatilidade em vantagem competitiva.
Este artigo analisa o desempenho da economia brasileira no primeiro trimestre de 2026, o cenário dos mercados americano e europeu, o estado do franchising nacional e oferece uma leitura estratégica do que esperar e como agir no restante do ano.
Boa leitura!
Parte I — Brasil: O primeiro trimestre sob juros historicamente elevados
A Herança de 2025 e o Ponto de Partida
O Brasil encerrou 2025 com crescimento de 2,3% do PIB, o quinto ano consecutivo de expansão, segundo dados divulgados pelo IBGE em março de 2026. O quarto trimestre, porém, revelou o custo do aperto monetário mais agressivo em quase duas décadas: o PIB avançou apenas 0,1% em relação ao trimestre anterior, com o consumo das famílias praticamente estagnado e a formação bruta de capital fixo recuando 3,5%, sinalizando que o crédito caro derrubou o investimento privado.
Fontes:
— IBGE, “Contas Nacionais Trimestrais”, divulgação de 3 de março de 2026. Acesso: ibge.gov.br
— Trading Economics, “Brazil GDP Growth Rate”. Acesso: tradingeconomics.com/brazil/gdp-growth
Esse foi o ponto de largada do primeiro trimestre de 2026: uma economia desacelerando, com mercado de trabalho ainda resiliente, mas com investimento sob pressão e consumo em processo de moderação gradual.
Selic a 15%: O maior patamar em quase 20 anos
Em janeiro de 2026, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a Selic em 15% ao ano, o nível mais alto desde julho de 2006, quando a taxa era de 15,25%. Foi a quinta reunião consecutiva de manutenção. A decisão foi unânime, ancorada na persistência das expectativas de inflação acima da meta e na incerteza geopolítica global. A Agência Brasil registrou o comunicado do Copom sinalizando que o início do afrouxamento poderia ocorrer na reunião seguinte, em março, caso o cenário de base se confirmasse.
Fonte: Agência Brasil / EBC, “Banco Central do Brasil mantém taxa Selic em 15% ao ano”, 29 de janeiro de 2026. Acesso: agenciabrasil.ebc.com.br
O corte veio em março, mas com tamanho menor do que o mercado esperava: apenas 25 pontos-base, levando a Selic a 14,75%. O Copom abandonou, naquela reunião, sua prática recente de sinalizar o ritmo de ajustes futuros, introduzindo mais incerteza para o processo decisório de empresas com planos de expansão intensivos em crédito. De acordo com relatório do Bloomberg de 23 de março de 2026, os economistas já revisaram para cima as projeções de inflação e Selic ao final do ano após o corte mais tímido.
Fonte: Bloomberg, “Brazil Economists Raise Selic, Inflation Forecasts After Modest Rate Cut”, 23 de março de 2026. Acesso: bloomberg.com
Inflação: Boas notícias a curto prazo, ressalvas no horizonte
O IPCA registrou 4,44% em janeiro de 2026, pressionado por habitação (10,06%), educação (5,97%) e despesas pessoais (5,76%). Em fevereiro, o índice caiu para 3,81%, o menor nível desde abril de 2024, beneficiado por efeito-base na energia elétrica e por desaceleração em alimentos. Tecnicamente, a inflação está dentro do teto da meta (4,5%), mas o mercado não acredita que o alívio seja duradouro.
A pesquisa Focus do Banco Central, divulgada no início de abril de 2026, aponta IPCA de 4,36% ao final do ano, quarta semana consecutiva de alta nas expectativas, influenciadas pela escalada dos preços do petróleo decorrente do conflito no Oriente Médio. O Goldman Sachs chegou a empurrar sua projeção para o próximo corte da Selic para setembro, sugerindo uma pausa completa no ciclo de afrouxamento por vários meses.
Fontes:
— Trading Economics, “Brazil Inflation Rate”. Acesso: tradingeconomics.com/brazil/inflation-cpi
— The Rio Times / Brazil Focus Report, “IPCA Selic April 2026”. Acesso: riotimesonline.com/brazil-focus-report-ipca-selic-april-2026
— Bloomberg, “Brazil Inflation Forecasts Jump on Eve of Interest Rate Decision”, 16 de março de 2026. Acesso: bloomberg.com
Perspectiva para o restante de 2026 no Brasil
O consenso de mercado, conforme a pesquisa Focus, aponta crescimento de 1,85% do PIB em 2026, a menor expansão em seis anos, segundo análise da FocusEconomics. A OCDE projeta 1,7%, alinhada à estimativa do BBVA Research em seu relatório de março de 2026. Já a Deloitte, em seu Economic Outlook de fevereiro de 2026, resume bem o contexto: “O Brasil entra no novo ano com perspectiva fiscal instável, crescimento econômico lento e dívida pública crescente num ambiente de juros elevados.” A dívida pública deve escalar de 87,3% do PIB em 2024 para 95% em 2026.
Dois vetores amenizam o quadro: o mercado de trabalho resiliente, com desemprego ainda em patamares historicamente baixos e a injeção de demanda via programas sociais e isenção de imposto de renda para trabalhadores com renda até R$ 5 mil. Do lado fiscal, 2026 é ano eleitoral, o que historicamente pressiona as despesas públicas para cima.
O consenso Focus prevê Selic encerrando o ano em 12,25% a 12,5%, implicando reduções adicionais de 225 a 250 pontos-base até dezembro, desde que o choque inflacionário externo não se prolongue.
Fontes:
— OCDE, “Brazil Economic Snapshot”, dezembro de 2025. Acesso: oecd.org/en/topics/sub-issues/economic-surveys/Brazil-Economic-Snapshot.html
— BBVA Research, “Brazil Economic Outlook March 2026”. Acesso: bbvaresearch.com
— Deloitte, “Brazil Economic Outlook February 2026”. Acesso: deloitte.com
— FocusEconomics, “Brazil GDP Estimate & Forecast”. Acesso: focus-economics.com/country-indicator/brazil/gdp
Parte II — O Franchising Brasileiro em evidência
Um setor que superou suas próprias projeções
Em meio ao ambiente macroeconômico desafiador, o franchising encerrou 2025 com o maior faturamento de sua história: R$ 301,7 bilhões, crescimento nominal de 10,5% em relação a 2024, segundo a Pesquisa de Desempenho do Franchising divulgada pela Associação Brasileira de Franchising (ABF) em março de 2026. O resultado superou o teto da projeção inicial da entidade (8% a 10%) — um feito notável considerando que a Selic permaneceu em dois dígitos durante todo o ano.
Fonte: ABF – Associação Brasileira de Franchising, “Franquias superam R$ 300 bi em 2025 e impulsionam avanço da economia brasileira”, março de 2026. Acesso: abf.com.br
O Brasil chegou a 202.444 operações de franchising, com 3.297 redes ativas em território nacional, presença em cerca de 80% dos municípios brasileiros. A geração de 1,762 milhão de empregos diretos (crescimento de 2,5%) e aproximadamente 6 milhões de empregos indiretos reforça o papel estrutural do setor na economia.
A dinâmica de abertura e fechamento de unidades também é relevante para a leitura estratégica: a taxa média de abertura de novas operações foi de 18%, enquanto os fechamentos ficaram em 7,4% — resultando em saldo positivo de 10,6%. O repasse de unidades alcançou 4%. Esses números evidenciam saúde operacional, mas também que a renovação do portfólio de franqueados é uma dinâmica constante que exige atenção das redes.
Os segmentos que lideram a expansão
Todos os 12 segmentos do franchising registraram crescimento em 2025. Os destaques merecem atenção estratégica, pois revelam as tendências comportamentais do consumidor brasileiro:
- Limpeza e Conservação: +16,8% — impulsionado pela escassez de mão de obra doméstica, expansão das lavanderias self-service e redução dos espaços de moradia nas cidades.
- Saúde, Beleza e Bem-Estar: +14,6% — maior segmento absoluto do franchising, com R$ 74,3 bilhões em faturamento, beneficiado pelo movimento de autocuidado e expansão da massa salarial.
- Alimentação Comércio e Distribuição: +12,9% — crescimento estrutural do delivery e da busca por conveniência alimentar.
- Food Service: +10,8% — setor resiliente mesmo sob inflação de alimentos.
- Entretenimento e Lazer: +10,5% e Hotelaria e Turismo: +10,3% fecham o grupo de destaques, evidenciando que o consumidor brasileiro priorizou experiências ao longo do ano.
O quarto trimestre de 2025 foi especialmente robusto, com crescimento de 10,1% e faturamento de R$ 89,3 bilhões, refletindo a combinação de datas sazonais estratégicas, maior confiança do consumidor e expansão das redes para cidades menores.
Perspectivas do Franchising para 2026
A ABF projeta crescimento de 8% a 10% no faturamento do setor em 2026, com expansão de 2% a 4% no número de redes e de 1% a 3% nas operações e empregos diretos. As premissas são o mercado de trabalho forte, a isenção de IR para faixas de renda mais baixas e a continuidade dos programas sociais como sustentadores do consumo interno.
Tom Moreira Leite, presidente da ABF, sintetizou bem o posicionamento do setor: “O franchising está mais preparado para um cenário que exige inovação, escala e colaboração.” Essa frase não é retórica: é uma descrição das condições de competição que 2026 vai impor.
Fontes:
— ABF, Pesquisa de Desempenho do Franchising Brasileiro 2025, março de 2026. Acesso: abf.com.br
— PropMark, “Franchising supera R$ 300 bi em 2025 e cresce 10,5% no Brasil, aponta ABF”, abril de 2026. Acesso: propmark.com.br
— Portal do Franchising, “Tendências de franquias para 2026”. Acesso: portaldofranchising.com.br
Parte III — O Cenário Americano e Europeu
Estados Unidos: crescimento sólido apesar das turbulências
A economia americana entra no segundo trimestre de 2026 com uma narrativa de crescimento acima do esperado. O consenso de mercado, segundo levantamento Blue Chip, aponta expansão real do PIB de 1,9% em 2026, mas o Goldman Sachs Research, em relatório de janeiro de 2026 assinado pelo economista-chefe David Mericle, trabalha com projeção mais otimista de 2,5% Q4/Q4 — muito acima do consenso de 2,1%.
O motor principal é a virada tributária: após o impacto negativo das tarifas de importação impostas em 2025 (que elevaram a alíquota efetiva de 2,1% para aproximadamente 11,7%), o impulso fiscal proveniente do chamado “One Big Beautiful Bill Act”, com cortes de impostos para pessoas físicas e empresas, deve dominar a narrativa do primeiro semestre. O J.P. Morgan projeta crescimento de 1% no Q1 (amortecido pelo clima adverso e pelo carry-over dos efeitos tarifários), aceleração para 3% no meio do ano e desaceleração para 1% no quarto trimestre.
Fontes:
— Goldman Sachs Research, “US GDP Growth Is Projected to Outperform Economist Forecasts in 2026”, 11 de janeiro de 2026. Acesso: goldmansachs.com/insights
— Deloitte Insights, “US Economic Forecast Q1 2026”. Acesso: deloitte.com/us/en/insights
— Stanford SIEPR, “The U.S. Economy in 2026: What to Watch For”, janeiro de 2026. Acesso: siepr.stanford.edu
O Federal Reserve, após três cortes de 25 pontos-base no segundo semestre de 2025, deve manter as taxas no primeiro semestre de 2026 e entregar cortes adicionais nos últimos meses do ano, com a taxa dos fed funds encerrando 2026 na faixa de 3,25% a 3,50%, segundo projeção do FMI. A inflação PCE ainda está acima de 2%, mas desacelerando gradualmente.
Para o franchising americano, o contexto é de consumo ainda robusto (projeção de crescimento real de 2,1%), pressão de custos via tarifas (especialmente em supply chains dependentes de importações asiáticas) e mercado de trabalho em reequilíbrio.
Europa: recuperação gradual, incerteza persistente
A Zona do Euro encerrou 2025 com crescimento de 1,4% do PIB — acima das projeções iniciais. Para 2026, o consenso das principais instituições aponta expansão de 1,1%, uma desaceleração explicada em parte pela normalização do efeito-base na Irlanda e pelos ventos contrários do conflito no Oriente Médio.
Segundo as projeções do BCE de março de 2026, o Composite PMI atingiu 51,9 em fevereiro e pela primeira vez desde 2022 o índice de produção manufatureira também ficou acima de 50. O Banco Central Europeu manteve a taxa de depósitos em 2,0% desde junho de 2025, com o mercado esperando estabilidade ao longo de 2026 em função das pressões inflacionárias trazidas pelo choque de energia.
Fontes:
— BCE, “ECB Staff Macroeconomic Projections for the Euro Area, March 2026”. Acesso: ecb.europa.eu/press/projections
— KPMG UK, “Eurozone GDP Forecast to Grow by 1.1% in 2026”. Acesso: kpmg.com/uk
— Deloitte Germany / Deloitte Insights, “Eurozone Economic Outlook, April 2026”. Acesso: deloitte.com/us/en/insights
— Conference Board, “Economic Forecast for the Euro Area Economy, March 2026”. Acesso: conference-board.org
O diferencial mais relevante na Europa em 2026 é a Alemanha. Após três anos de estagnação, o pacote fiscal alemão de infraestrutura e defesa está produzindo efeitos concretos: os pedidos na indústria manufatureira saltaram 9,6% no Q4 de 2025. A Natixis CIB projeta crescimento de 0,3% a 0,4% por trimestre para a Zona do Euro a partir do segundo semestre.
No polo oposto, a Itália deverá crescer apenas 0,9% em 2026, enquanto Espanha e Portugal mantêm expansão acima da média europeia, com projeções superiores a 2%. O mercado europeu de franchising, embora com estrutura distinta do brasileiro, oferece uma lente interessante sobre o comportamento do consumidor em economias sob pressão de custo de vida, o que tem acelerado o crescimento de modelos de valor, conveniência e serviços com ticket acessível.
Parte IV — O Mapa Estratégico para as redes: o que fazer com o restante de 2026
Entendendo o calendário como ativo estratégico
Para redes de franquias, o calendário de 2026 é um recurso estratégico de primeira ordem. O Brasil terá 11 feriados prolongados, segundo dados da ANBIMA e calendário oficial do governo federal, com apenas a Proclamação da República (15 de novembro, domingo) caindo em um fim de semana. Os demais criam janelas de demanda concentrada que exigem planejamento de estoque, capacidade operacional e campanhas de comunicação.
As datas mais relevantes para o planejamento das redes:
- Carnaval: 16 e 17 de fevereiro (segunda e terça) — já passou, mas é referência de consumo no primeiro trimestre. Redes de alimentação e entretenimento capturam fortemente neste período.
- Sexta-Feira Santa (3/4) e Tiradentes (21/4, terça-feira) — dois feriadões em abril, mês historicamente forte para turismo e lazer. Corpus Christi (4/6, quinta) fecha o bloco de feriados favoráveis ao primeiro semestre.
- Dia das Mães: 10 de maio — data rainha do varejo brasileiro, competindo diretamente com o aquecimento da Copa do Mundo.
- Copa do Mundo FIFA 2026 de 11 de junho a 19 de julho (EUA, Canadá e México) — o Brasil estreia em 14 de junho e faz seus jogos da fase de grupos nos dias 14, 19 e 24 de junho. Os jogos ocorrem no horário do fim do dia no Brasil, durante o inverno, o que configura um cenário de consumo completamente diferente de 2014 e 2022. Redes de alimentação e entretenimento devem se preparar para a lógica do “reunir em casa” e do consumo coletivo em pontos comerciais.
- Eleições (4/10 e 25/10) — primeiro e segundo turnos em domingos de outubro. A dinâmica eleitoral em ano de eleição presidencial impacta o sentimento do consumidor e dos investidores, com potencial de retração em categorias discricionárias.
- Black Friday: 27 de novembro e Natal: 25 de dezembro (sexta-feira) — o último trimestre permanece o mais poderoso do franchising. Com o Natal numa sexta-feira, o período natalino de 2026 tem potencial de ser especialmente forte.
Fontes:
— ANBIMA, “Feriados Nacionais 2026”. Acesso: anbima.com.br/feriados
— Diário do Litoral, “Prepare-se: 2026 terá 11 feriados prolongados mais Copa e eleições no mesmo ano”. Acesso: diariodolitoral.com.br
— O Tempo, “Calendário 2026: veja lista completa de feriados, data da Copa do Mundo e das eleições”. Acesso: otempo.com.br
A Copa do Mundo como janela de oportunidade estrutural
A Copa de 2026 é a primeira com 48 seleções — 104 jogos ao longo de 39 dias. Para as redes, o evento representa muito mais do que um pico sazonal de vendas: é uma oportunidade de reposicionamento de marca junto a um consumidor energizado e com propensão ao consumo coletivo elevada.
A ABF Franchising Expo, maior evento do setor, está marcada para 24 a 27 de junho de 2026, no Expo Center Norte, em São Paulo — bem no meio da Copa. Isso concentra dois vetores de calor no mercado de franchising: a visibilidade do evento setorial e o ambiente de consumo aquecido pelo torneio. Para quem planeja captação de novos franqueados, essa janela é especialmente valiosa.
Fonte: ABF Franchising Expo, calendário oficial do evento. Acesso: abfexpo.com.br
O que o Cenário Macroeconômico implica para as decisões das redes de franquias
A interpretação dos dados econômicos para a alta liderança da franqueadora deve ir além da simples leitura. Há implicações operacionais e estratégicas concretas:
1. Crédito mais caro por mais tempo. A Selic a 14,75% e um ciclo de cortes mais lento do que o esperado pressionam os dois lados ao mesmo tempo: o custo de capital das redes que financiam expansão com dívida e a capacidade de crédito dos franqueados, especialmente os que tomaram empréstimos para abrir unidades nos últimos dois anos. Monitorar a saúde financeira do franqueado deixou de ser uma atividade de back-office e passou a ser uma competência estratégica de operação.
2. Consumo doméstico como boia de sustentação. A combinação de pleno emprego, transferências de renda e isenção tributária para faixas de renda mais baixas mantém o consumo em patamares razoáveis mesmo com juros altos. Redes com ticket médio acessível e proposta de valor clara tendem a capturar essa demanda com mais consistência do que marcas com posicionamento premium.
3. Expansão com critério. A projeção da ABF de crescimento de apenas 1% a 3% no número de operações em 2026, bem abaixo dos 10,6% de saldo líquido de 2025, sinaliza um setor mais criterioso na abertura de novas unidades. Para as franqueadoras, isso significa que a qualidade do franqueado e a maturidade do ponto passam a ter peso maior do que o volume de novos contratos. Redes que mantiveram rigor na seleção durante 2025 estarão mais bem posicionadas para 2026.
4. Ano eleitoral e comportamento do empresário. Conforme alertado pelo BBVA Research em março de 2026, a incerteza política pré-eleitoral tende a pressionar o câmbio e refrear decisões de investimento de longo prazo no segundo semestre. Para as redes, isso implica antecipar negociações de renovação de contrato de franqueados, processos de captação e compromissos com fornecedores, preferencialmente até o terceiro trimestre.
5. Segmentos para acelerar. Saúde, beleza e bem-estar, limpeza e conservação, e alimentação com foco em conveniência seguem sendo os segmentos com melhor dinâmica estrutural. Redes nesses setores devem considerar 2026 como uma janela de aceleração controlada, aproveitando a demanda aquecida antes que o ciclo eleitoral introduza mais ruído de mercado.
O Cenário Internacional como parâmetro de benchmarking
A comparação com o mercado americano e europeu é relevante por duas razões práticas para as franqueadoras brasileiras. Primeiro, redes que têm ou planejam operações internacionais precisam calibrar suas expectativas: o consumidor americano está sob pressão de custo de vida (tariff pass-through ainda em curso), o europeu está em recuperação gradual. Ambos apresentam oportunidades, mas com ambientes regulatórios e competitivos bem distintos.
Segundo, o comportamento do consumidor global em 2026 — priorizando valor percebido, conveniência e experiências acessíveis, ecoa no Brasil. Redes que entenderam esse shift e ajustaram proposta de valor, mix de produtos e modelo operacional têm mais chances de surfar o crescimento projetado de 8% a 10% do setor.
Conclusão: preparação estratégica como diferencial competitivo
O primeiro trimestre de 2026 entregou um Brasil em desaceleração controlada, com crescimento modesto, inflação ainda acima da meta, juros altos e eleições no horizonte. Para o franchising, entretanto, os fundamentos seguem sólidos: o setor acumulou R$ 301,7 bilhões em faturamento em 2025, projeta crescimento de até 10% em 2026 e possui uma base operacional de mais de 200 mil unidades que dificilmente será perturbada por uma redução de 0,3 a 0,5 ponto percentual no crescimento do PIB.
O diferencial competitivo em 2026 não será construído na operação do dia a dia. Será construído agora, nas salas de reunião de CEOs e diretores que entenderem como usar o calendário, o ciclo de política monetária e os grandes eventos do ano como alavancas de crescimento deliberado.
A Copa do Mundo, as eleições, os onze feriados prolongados e a ABF Franchising Expo não são ruídos no calendário operacional das redes. São marcos estratégicos que, bem antecipados, separam as franqueadoras que crescem com qualidade daquelas que apenas crescem.
O jogo de 2026 já começou. A questão é quem entrou em campo com o planejamento certo.
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Até a próxima!
