Entre 11 e 13 de janeiro de 2026, Nova York voltou a ser o centro do varejo global com a realização da NRF Retail’s Big Show 2026, o maior e mais influente evento do setor no mundo. Organizado pela National Retail Federation (NRF) e sediado no Javits Center.
O encontro reuniu executivos C-level, conselhos, investidores, líderes de tecnologia e estrategistas de grandes redes globais para discutir o tema que norteou praticamente todas as sessões: “The Next Now”.
Mais do que prever tendências, a NRF 2026 consolidou uma mudança de postura do varejo global: o futuro deixou de ser um exercício teórico. As decisões estratégicas discutidas no palco já estão sendo implementadas em escala, com impacto direto sobre modelos de expansão, eficiência operacional, estrutura de capital e relacionamento com consumidores.
Para se ter ideia dos principais pontos abordados no evento, ficou claro que o varejo global entrou em uma fase de maturidade: tecnologia já não é diferencial por si só, mas sim a capacidade de transformar dados, IA e automação em decisões rápidas e estratégicas.
Para a alta direção, o recado é direto: vantagem competitiva agora depende de velocidade, execução e liderança centrada em pessoas.
Reunimos nesse artigo os acontecimentos que entendemos serem os mais relevantes, destacando aprendizados e implicações estratégicas da NRF 2026. Acompanhe os tópicos do texto:
1. “The Next Now”: do discurso de inovação à execução disciplinada
2. Inteligência Artificial: de vantagem competitiva a infraestrutura básica
3. Dados como ativo estratégico: “It’s data, not intuition”
4. Omnicanalidade madura: menos discurso, mais integração real
5. Pessoas, cultura e liderança: tecnologia sem gente não escala
6. Expansão com disciplina: crescimento voltou a ser seletivo
7. Sustentabilidade e eficiência: menos discurso, mais resultado
8. Presença brasileira e leitura local dos aprendizados
9. Síntese estratégica para líderes de franqueadoras
10. O recado Pós-NRF 2026
Boa leitura!
1. “The Next Now”: do discurso de inovação à execução disciplinada
O conceito central da NRF 2026, The Next Now, não foi apenas um slogan. Ele refletiu uma constatação amplamente compartilhada entre os palestrantes: o varejo entrou em um ciclo de decisões irreversíveis. Tecnologias, formatos e modelos organizacionais que ainda eram experimentais em 2023–2024 agora são padrão competitivo mínimo.
O foco deixou de ser no que vem a seguir e passou a ser “como escalar agora, com retorno planejado”. Isso ficou evidente na escolha dos keynotes, que priorizaram CEOs em operação para relatar o que já está funcionando em grandes redes, ofuscando a característica futurista muitas vezes associadas ao evento.
Para a franqueadora, esse ponto é crucial e corrobora a visão que compartilhamos em nosso artigo anterior: 2026 não é mais um ano para riscos demasiados ou desconexão com a rede; é o ano da padronização inteligente.
2. Inteligência Artificial: de vantagem competitiva a infraestrutura básica
Se houve um consenso na NRF 2026, ele atende pelo nome de Inteligência Artificial. Com uma diferença importante em relação às edições anteriores, a IA deixou de ser tratada como inovação e passou a ser apreciada como infraestrutura operacional essencial.
2.1 IA aplicada à decisão, não apenas à experiência
Houve muito destaque para o foco das empresas líderes, que migraram do uso de IA apenas para personalização da jornada do consumidor para um modelo onde aplicações mais profundas trazem resultados, como:
– Previsão de demanda com granularidade local
– Otimização de sortimento por loja
– Gestão dinâmica de preços e promoções
– Planejamento de força de trabalho
Os executivos reforçaram também que o ROI da IA agora é cobrado trimestralmente, deixando de ser uma aposta com perspectivas de retorno do investimento em longo prazo.
Para redes de franquias, isso se traduz em um ponto estratégico sensível:
Franqueadoras que não oferecem inteligência centralizada e acionável por toda a rede passam a transferir risco operacional ao franqueado, afetando expansão, satisfação dos franqueados e no valor da marca.
3. Dados como ativo estratégico: “It’s data, not intuition”
Uma das sessões mais citadas pela imprensa especializada americana foi resumida por um título direto: “It’s data, not intuition”. O recado foi claro: organizações que ainda dependem excessivamente de feeling executivo estão estruturalmente atrasadas.
Os dados são o caminho e devem estar disponíveis para decisões.
3.1 O fim da fragmentação de dados
As grandes redes estão consolidando dados de vendas físicas e digitais, comportamento de clientes, operações logísticas e performance de equipes em plataformas únicas de decisão.
No franchising, esse aprendizado é particularmente relevante, pois dados fragmentados por franqueado limitam escala, enquanto dados consolidados fortalecem governança e expansão.
A NRF 2026 deixou implícito que aquelas franqueadoras que não dominam seus próprios dados perdem poder estratégico, inclusive frente a investidores e potenciais master franqueados.
4. Omnicanalidade madura: menos discurso, mais integração real
Outro ponto recorrente na NRF 2026 foi a constatação de que o omnichannel deixou de ser diferencial. Ela agora é condição básica de competitividade.
Executivos de grandes varejistas americanas reforçaram que o desafio não é mais estar em vários canais, mas operar todos eles como um único sistema econômico. Isso inclui:
– estoques integrados
– políticas comerciais coerentes
– experiência consistente de marca
– métricas únicas de performance
Empresas que continuarem tratando o digital como canal separado estão destruindo margem sem perceber.
Para redes franqueadas:
o franqueado não pode ser penalizado por uma omnicanalidade mal desenhada pelo franqueador.
5. Pessoas, cultura e liderança: tecnologia sem gente não escala
Apesar do forte viés tecnológico, a NRF 2026 também trouxe um contraponto da relevância do tema “gente” como catalisador das transformações que possam se sustentar.
Isso ficou evidenciado pela quantidade de sessões dedicadas à retenção de talentos no varejo, capacitação contínua e modelos de liderança distribuída.
A valorização de modelos híbridos de decisão foi também ponto relevante levantado, onde tecnologia orienta e as lideranças locais executam com autonomia responsável.
Em franquias, isso reforça a necessidade de treinamento mais analítico dos franqueados e lideranças regionais mais estratégicas.
Menos manuais e mais inteligência aplicada.
6. Expansão com disciplina: crescimento voltou a ser seletivo
Outro tema dominante na NRF 2026 foi a mudança no apetite por expansão. Diferentemente do período pós-pandemia, o discurso predominante foi crescer menos, crescer melhor e com retorno comprovado.
Publicações como The Wall Street Journal e Bloomberg destacaram que juros mais altos e capital mais seletivo estão forçando redes a revisar planos agressivos de abertura de lojas, priorizar mercados com densidade comprovada e fechar unidades estruturalmente deficitárias. Tratamos de alguns desses temas no nosso artigo no LinkedIn da semana passada.
No universo das franquias, a lição é:
expansão sem inteligência gera conflitos,
crescimento disciplinado fortalece a marca no longo prazo.
7. Sustentabilidade e eficiência: menos discurso, mais resultado
Embora menos midiática do que em anos anteriores, a pauta ESG apareceu na NRF 2026 de forma mais pragmática. O foco deslocou-se de compromissos públicos para eficiência operacional com impacto ambiental positivo.
Tivemos alguns bons exemplos:
– redução de desperdício via IA
– otimização logística
– eficiência energética em lojas
Para as franqueadoras, o que fica: sustentabilidade que não reduz custo dificilmente escala na rede.
8. Presença brasileira e leitura local dos aprendizados
Continuamos como a maior delegação estrangeira com presença do Brasil na NRF 2026, inclusive com iniciativas coletivas voltadas ao e-commerce e à internacionalização.
As leituras nacionais convergiram em alguns pontos interessantes, destacando que o Brasil está menos atrasado tecnologicamente do que se imagina, mas ainda enfrenta gargalos de governança, dados e execução em escala, especialmente em redes franqueadas.
9. Síntese estratégica para líderes de franqueadoras
A NRF 2026 deixou alguns recados inequívocos para a alta direção das franqueadoras:
- Tecnologia virou custo de entrada, não diferencial
- Dados centralizados são ativos estratégicos
- Expansão exige disciplina financeira e operacional
- Omnicanalidade mal desenhada destrói valor
- Franqueados precisam de inteligência, não apenas regras
Em última instância, o maior aprendizado da NRF 2026 talvez seja este:
O futuro do varejo e das redes de franquias já está em execução. A diferença estará em quem consegue escalar com consistência.
10. O recado Pós-NRF 2026
Para as redes de franquias brasileiras, a NRF 2026 reforça que o futuro do varejo não será definido por quem tem mais tecnologia, mas por quem decide mais rápido, executa melhor e engaja pessoas com propósito claro.
Veja este checklist prático, com ações prioritárias para implementar já em 2026, com base nos insights da NRF 2026:
- Execução e Velocidade: agilidade para testar e escalar soluções, evitar investimentos sem retorno claro e revisar processos de tomada de decisão
- Tecnologia e Dados: adotar IA aplicada à operação, integrar vendas, estoque e mapear comportamento de compra do consumidor
- Sustentabilidade e Governança: ESG como diferencial competitivo e de reputação, alinhar tecnologia à estratégia de marca e experiência do consumidor, acelerar decisões com a criação de comitê de inovação e dados
- Liderança e Pessoas: desenvolver líderes capazes de transformar insights em execução rápida, valorizar inovação e cultura organizacional, e usar ferramentas digitais como suporte para treinamentos e aprendizado contínuo
Conclusão
O recado da NRF 2026 é claro: não basta ter tecnologia, é preciso transformar velocidade e execução em vantagem competitiva. Para redes de franquias, isso significa alinhar os objetivos estratégicos da franqueadora com os franqueados em torno de uma cultura que combina dados, liderança e propósito.
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